08/05/07

Meditações do Tao - I


O Tao Te King diz que " saber o que basta, sempre basta. Não há maior calamidade do que não saber o que basta " . E quem pode saber o que basta? Quem vive dentro dessa esfera perfeita do que é necessário? Analiso isso, tendo em vista, principalmente, minha perspectiva de homem ocidental. Nossa civilização é primorosa em criar artigos não-necessários para existência. É primorosa em desenvolver recursos que façam com que o homem sempre se projete para intenções externas, para adquirir, expandir, aumentar, dissolver. O homem oriental antigo, pelo contrário, busca a síntese, a concentração, o "re-ordenamento" da vida. Por isso são tão significativas suas mandalas : representam perfeitamente esse centro imutável em meio aos acontecimentos. Desse centro imutável brotam dezenas, centenas, milhares de variações de uma coisa só que, cedo ou tarde, confluem para o ponto do qual foram emanadas. Meu sábio avô costuma me dizer que tudo volta à sua origem e que é imprescindível que o homem tenha consciência desse movimento.


"Sendo um vale do mundo, a virtude eterna nele brota, a ele atinge a simplicidade original.

Foi essa simplicidade que formou todas as coisas.

É como uma rocha inteiriça de onde surgem várias formas de vasos de pedra.

O sábio nada faz sem simplicidade, ele dirige com nobreza e a ninguém prejudica. "


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