
Minha namorada está participando da produção de um espetáculo de Dança que irá versar sobre os 7 pecados capitais. Por isso, pediu para que eu fizesse alguns textos - ou poemas pequenos - que falassem sobre o tema. Vou postar aqui o resultado de minha produção. Começo pelo pecado da Gula por uma questão de familiaridade, proximidade e até um certo grau de afeto " pato-ilógico" com o mesmo.
GULA
Na pujança do prato fundo
O homem senta a pança e alarga o lastro.
Fita a presa com fugaz predatorismo
Fecha o lombo, forra o casco, solta um grito!
Das amarras que prendiam o gemido
Com voracidade, velocidade e selvageria
O homem amarra o homem na glote
E expele, vomita, o vão deglutido.
Essa fome, esse temor, essa angústia do prato mudo
Esse afã, esse terror, essa ganância de acabar
Alimentar-se e esganar-se
na mesa: ao se fartar.
Desde que Adão e Eva comeram a perdição
O homem está fadado ao infinito contado
Da eterna deglutição.
É escravo eterno, do seu instinto- inferno
Comer, descomer, e ficar!
Com sede, só-saciada
na mesa, ao se fartar.
Na pujança do prato fundo
O homem assenta a ânsia:
Abraço da pança, abraço do Mundo.
5 asnos comentaram:
Bom...muito bom...quase comestível! heehhe
Pois é amigo,
Há quem sustente a idéia de que se conseguirmos domínio sobre a gula…. Estaremos livres de todos os vícios morais!!
Livres dos vícios morais, estaremos às portas do paraíso... e sem a tal maçã!
Lá, Adão não vê Eva... e Eva não se encanta com maça nenhuma... não teríamos sede de conhecimento... e talvez, nenhuma palavra...
As Evas poderiam ser desdentadas...
E uvas, rapozas não cobiçariam!
Que mundo cão!
A concupisciência gulosa, voraz devoradora,
Gula de si mesma que nos torna o alimento,
Que nos torna mais humanos, os prazeres da comida,
Vontade inferior? À mediocridade um monumento.
Prazer absurdo, a devassidão glutoginosa;
Fome de gula e não mais de sustento.
Fácil falar, mas pro asno uma indigência:
A gula, doce gula. Comamos por arrependimento.
Ésagazseublog.blogspot.com
Opa! Bem Vindo ao Reino das Mutações pecaminosas e das virtudes abstratas não-definíveis do Asno Dourado grande avatar da Obra Solar!
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