
Interrompo um pouco a série dos pecados capitais para mostrar um pouco de outro tudo. Quando disse - alguns dias atrás - que um dos meus mestres da rima era Pinto do Monteiro, não estava brincando. Além dele, devo reverência à Oliveira de Panelas, João Quindigues, Zé da Luz, Patativa, Sebastião Marinho, Andorinha, Zé Francisco, Passarinho do Norte, Chico Antônio, Leandro Gomes de Barros e uma lista que não tem fim. Vou postar aqui um desafio de repente-cordel que fiz com um amigo meu - grande poeta popular - via MSN. O mundo atual tem essas coisas paradoxais: motes da Natureza cantados pelas virtualidades mudernosas.
Ah! Quem quiser continuar o desafio no comentário é muito bem-vindo! É só pegar o esquema de rimas já existente, ler em voz alta pra entender o ritmo e ser feliz.
Suriel:
O meu verso é água pura
Correndo pelo lajedo
É semente de arvoredo
Brotando na terra dura
É fruta doce madura
No pomar da poesia
É o sopro da ventania
Varrendo a terra escarpada
É noite toda estrelada
E o Sol no raiar do dia
Sugamosto:
Eu tenho como meu guia
o velho Pinto Monteiro
trovador e seresteiro
que cantava com alegria
em seus versos ele dizia
da lida do sertanejo
e trovava com benfazejo
sobre o mote da Natureza
a mãe de toda beleza
do céu, da luz do trovejo.
Suriel:
Quando canto eu logo vejo
Uma estrela transcendente
Com seu lume incandescente
Me inspirando num lampejo
Um harmônico cortejo
De versos vem na seqüência
Que num ato de vidência
Invadem meu pensamento
Provocando encantamento
Em toda minha audiência
Sugamosto:
Eu só presto obediência
ao mestre da inspiração
aquele que dá canção
sonho, talento,inocência.
É preciso ter paciência
pra seguir o rumo da rima
trabalhar a matéria prima
com engenho força e arte
transformando Vênus em Marte
e a lama em flor celestina.
Suriel:
Nesta vida eu tenho a sina
De cantar aos quatro ventos
A riqueza e os talentos
Da cultura nordestina
Que é fonte cristalina
hidratando este país
sertanejo nunca diz
que não teve boa sorte
enquanto não vem a morte
ele canta bem feliz
Sugamosto:
Meu canto também é raiz
que infunde vida no mundo
toada do alto profundo
morada da Musa nutriz.
se o homem não é feliz
seu canto é tumba caiada
por fora bela fachada
por dentro escuridão!
A rima é luz, é clarão
O sol de uma nova alvorada.
Suriel:
É a presença sagrada
Do verbo onipresente
é vida pura e latente
no canto da passarada
é estrela da madrugada
que brilha também de dia
é a mais pura energia
que vibra neste universo
sintetizada no verso
dos mestres da cantoria
Sugamosto:
É estrela, luz, ousadia
infinito mantra do espaço
é lei, som e compasso
na vida de quem a cria.
Tudo isso é a poesia
o ciclo que nunca termina
a fonte adamantina
onde bebem os vates sagrados
cantadores abençoados
da natureza divina.



