
Do nada, em nada, se verte o viço do verso. A palavra degenerada é concretamente a abstração, o hiper-relaxamento do gênero. Vem (vir e viemos) as formas, todas prontas, em exércitos de casulos, cápsulas, claustros, camadas e conceitos ; daí a derivação do termo crueldade de Artaud: desnudamento completo com a força da semente original. Mesmo poder de morte, vida, cio, som. Aqui sim um irromper-se necessário para frutificar em palavra-árvore, verbo-fruto. O verbo, erupção do corpo, é o filho incompreendido, ainda que sem necessitar de defesa, e malogrado. Porém, observa atentamente a pedra de escândalo e com ela edifica e medica. Sanar com arte, habilmente verter-se em vertigem do abismo. No olhar, tão teme e apenas salta pois não há como fracassar: tu és isso.